Até na OE...
Coimbra é a cidade do quarto de hora académico. O que é que isto significa? Significa que um atraso de 15 minutos é geralmente aceite pelas pessoas. Significa que, qualquer que seja o assunto ou importância do encontro, é normal aguardar 15 minutos antes de se iniciar as actividades.
Ora, esta semana dirigi-me à sede da Ordem dos Engenheiros para assistir a uma palestra. A hora marcada era 18:30. Quando cheguei, por volta das 18:20, só estavam lá 4 pessoas. Aos poucos e poucos, foram aparecendo mais ouvintes. A maior parte estaria já a contar com o tal quarto de hora académico e só chegou por volta das 18.45. A esta altura havia já uma sala cheia (cerca de 20 pessoas). Mas faltava alguém essencial - o palestrante.
As pessoas foram matando o tempo como podiam. E eu fiquei a observar. Havia dois ou três que se conheciam e puseram-se à conversa. À volta destes, mais alguns ficavam apenas a ouvir, acenando com a cabeça em concordância ou desacordo. Mas e os que não conheciam nenhum dos presentes? Esses, ou aproveitaram para fazer uns telefonemas, ou, passearam na sala ao lado, onde está em exposição um trabalho fotográfico. Alguns destes últimos, deram três ou quatro voltas à sala. Não por terem adorado as fotos mas sim porque a espera era longa... Entretanto, o organizador do evento lá se ia desculpando que o palestrante vinha do Porto e tinha sofrido um percalço. Onde já ia o quarto de hora académico... A certa altura perdi a paciência. Quando olhei para o relógio percebi porquê - já eram 19:30!! Isto já é demais - pensei. Onde é que já se ouviu falar dos 60 minutos académicos? Como é possível um atraso com o mesmo tempo que demoraria a sessão? E que percalço é esse que faz a pessoa atrasar-se exactamente o tempo que demora a viagem Porto-Coimbra? Eram tantas as perguntas sem resposta que decidi indagar. Dei com o organizador local a dar indicações pelo telemóvel sobre qual a melhor saída da auto-estrada. Sei que ele não tinha culpa do atraso e que não podia fazer nada mais, mas como era o organizador apresentei-lhe as razões da minha indignação. Ele lá foi explicando que "...o engenheiro vem do Porto, vem graciosamente...". Ora aí está - graciosamente - a palavra chave. Aí se perdeu o rigor e a qualidade sempre inerentes à engenharia... Não precisei ouvir mais nada. Fui embora. Espero que a palestra tenha sido interessante. E eu que uma semana antes estava agradecido por ter nascido em Portugal e não em Marrocos...

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