Peças às cores, de variados tamanhos e feitios. Peças de cheiros, de sons e de sabores. Memórias em peças e histórias aos pedaços. É assim, o puzzle da vida.

Wednesday, March 29, 2006

Io penso positivo, ma...

vorrei passare dai 10 ai 30
per non subire
questa tortura
il primo amore, la prima casa
dover vestire quest'armadura
il primo amico che ti tradisce
o che magari tradisce tu
il primo treno che non ci sali
e che magari non torna piu'

Jovanotti, Lorenzo 1994

Triste...

sem palavras... :(

Tuesday, March 28, 2006

Frase do dia

Hoje recebi esta magnífica frase do dia no meu e-mail:

"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Tuesday, March 21, 2006

O dia da poesia

Portugal tem tantos e bons poetas! E, de todos eles, eu sou o pior. O simples facto de me auto-intular como poeta é já uma presunção. Mas, dado que hoje se assinala o Dia Mundial da Poesia, lanço aqui algumas palavras da minha autoria.

"
Quem me dera
ser sol,
chuva, vento
e mar.

Ser sol, dar
luz e calor.
Ser chuva,
arco-íris, cor!
Ser vento,
e poder voar.
Ser mar, e
mergulhar no tempo. "

Thursday, March 16, 2006

Porquê?

Haverá preto sem branco? Ou melhor,
valerá a pena haver preto sem branco?
Imaginem... preto e amarelo? Preto e
verde? Ou castanho? :-(

Haverá Terra sem céu?
Poderá um peixe viver fora de água
ou uma planta sem luz?

Por que é tão difícil
viver sem amar? E será isso
realmente viver?

Porquê que as pessoas mais independentes têm
maior capacidade para amar?
E por que têm as outras tendência
para confundir amor com sacrifício?
Porquê que as pessoas com maior capacidade
para amar se apaixonam menos vezes?

Por que razão os homens se
metem com miúdas?
E por que razão
ainda tão meninas têm
já corpo de mulher?

Porque aprendemos a nos defender com
joguinhos, artimanhas,
dissimulações e outras coisas
tantas e tais que magoam?

Porquê? Porquê?

Pólo II

Piii Piii! Póó Póó! Dois camiões que não se cruzam, a entupir a rua. Atrás deles, uma fila de 5 ou 6 carros em cada sentido. À mistura, um ou outro camião e uns quantos carros mais. Sol bem alto. Buzinas, buzininhas e buzinões!
- Sai da estrada!
- Eu estou a trabalhar ò pá!
Esbracejam, vociferam e voltam a buzinar. Marcha atrás, meia volta e lá vamos todos pelo caminho alternativo.
Piii Piii! Póó Póó! De novo uns camiões que não se cruzam. A mesma cena - Piii Piii! Póó Póó!
(Isto é de doidos! P*rra pró Pólo II!!) Ligo o rádio. Nem de propósito! De jeans e t-shirt verde, aquela voz calma e sincera - "..slow down everybody, you're moving too fast..." Grande Jack. Obrigado!

Indiscritível

Uma vez mais

Enigma quase decifrado.
Por cada duas peças novas que se encaixa
retira-se uma anterior errada.
Puzzle quase completo,
mas não cuidado. Num pequeno safanão
cai por terra e desfaz-se.
Em forma de concha, são
as mãos que o apanham do chão.
Mas há uma peça que
se escapa. Vejo-a claramente,
em tons de azul. Foge da caixa
e desata a correr. Sem destino algum.
Mas corre, corre sem parar. Desmaia,
extenuada. E eis que se ergue
outra vez. Peça rebelde e obstinada.
Atravessa montes e vales, desertos e mares.
No fim do nada há um patamar.
E uma porta, que se fecha por detrás.
Na frente, um arame esticado
a percorrer. E sem rede por baixo.
Quem cai tenta de novo.
Como será desta vez?
A galinha, o galo, ou
parte-se o ovo?

Paisagem urbana 1

Data: século XXI
Local: Estação do Oriente, WC Masculino



Tuesday, March 14, 2006

Trocadilho

Se o Mário Mata,
a Florbela Espanca,
o Armando Gama
e o Jorge Palma,
o que é que a Rosa Lobato Faria?

Friday, March 10, 2006

Até na OE...

Coimbra é a cidade do quarto de hora académico. O que é que isto significa? Significa que um atraso de 15 minutos é geralmente aceite pelas pessoas. Significa que, qualquer que seja o assunto ou importância do encontro, é normal aguardar 15 minutos antes de se iniciar as actividades.
Ora, esta semana dirigi-me à sede da Ordem dos Engenheiros para assistir a uma palestra. A hora marcada era 18:30. Quando cheguei, por volta das 18:20, só estavam lá 4 pessoas. Aos poucos e poucos, foram aparecendo mais ouvintes. A maior parte estaria já a contar com o tal quarto de hora académico e só chegou por volta das 18.45. A esta altura havia já uma sala cheia (cerca de 20 pessoas). Mas faltava alguém essencial - o palestrante.
As pessoas foram matando o tempo como podiam. E eu fiquei a observar. Havia dois ou três que se conheciam e puseram-se à conversa. À volta destes, mais alguns ficavam apenas a ouvir, acenando com a cabeça em concordância ou desacordo. Mas e os que não conheciam nenhum dos presentes? Esses, ou aproveitaram para fazer uns telefonemas, ou, passearam na sala ao lado, onde está em exposição um trabalho fotográfico. Alguns destes últimos, deram três ou quatro voltas à sala. Não por terem adorado as fotos mas sim porque a espera era longa... Entretanto, o organizador do evento lá se ia desculpando que o palestrante vinha do Porto e tinha sofrido um percalço. Onde já ia o quarto de hora académico... A certa altura perdi a paciência. Quando olhei para o relógio percebi porquê - já eram 19:30!! Isto já é demais - pensei. Onde é que já se ouviu falar dos 60 minutos académicos? Como é possível um atraso com o mesmo tempo que demoraria a sessão? E que percalço é esse que faz a pessoa atrasar-se exactamente o tempo que demora a viagem Porto-Coimbra? Eram tantas as perguntas sem resposta que decidi indagar. Dei com o organizador local a dar indicações pelo telemóvel sobre qual a melhor saída da auto-estrada. Sei que ele não tinha culpa do atraso e que não podia fazer nada mais, mas como era o organizador apresentei-lhe as razões da minha indignação. Ele lá foi explicando que "...o engenheiro vem do Porto, vem graciosamente...". Ora aí está - graciosamente - a palavra chave. Aí se perdeu o rigor e a qualidade sempre inerentes à engenharia... Não precisei ouvir mais nada. Fui embora. Espero que a palestra tenha sido interessante. E eu que uma semana antes estava agradecido por ter nascido em Portugal e não em Marrocos...

Thursday, March 09, 2006

A travessia

Chamo-me Ali e tenho 16 anos. O nome é fictício mas sou uma personagem real. Conheço a fome, a guerra e a miséria. Comecei a minha viagem há uns dois anos atrás, já nem me lembro bem. Sei apenas que a comecei sozinho. E é assim também que me encontro neste momento - no escuro, sozinho.
Nesta minha jornada, quase pereci de frio e de calor no Sahara....
As altas montanhas do Atlas que lhe seguiram não foram percurso mais fácil...

Nas grandes cidades disfarço-me entre a multidão e ninguém me incomoda. Conheci muitos como eu. Foram eles que me falaram da travessia. Foram eles que me alimentaram o sonho. O sonho dos que foram, dos que partiram.
Por isso me encontro aqui, deitado, no escuro. Ontem à noite vimos os autocarros portugueses. Sabemos que vão cruzar o canal de manhã. Decidimos tentar a nossa sorte. Sabemos os perigos mas a esperança é incontrolável. Sei que se me apanharem me levam até à fronteira do país, e aí me abandonam, no meio do deserto. Mas isso não tem nada de novo para mim. O deserto já eu cruzei. Os meus companheiros esgueiraram-se por debaixo dos autocarros, por entre as rodas e a carroçaria. Já somos quatro, não cabe mais nenhum - gritaram. Desesperado, tentei de tudo. Consegui forçar uma fechadura num atrelado e aí me escondi, bem encolhido. Pelo alvoroço, soube que a manhã chegou e que alguns foram apanhados. Senti enjoo e náuseas durante a travessia de barco. Mas não podia dar sinal de mim.
Sinto que arrancamos... mas paramos logo. Ouço um cão que ladra e muitas vozes e gritos que não identifico e não percebo. Nem respiro. Arrancamos outra vez. Não consigo descrever o que sinto. Paramos de novo. Alguém remexe a fechadura. Vão abri-la, estarei livre!?
O coração bate incontrolavelmente. Estou agoniado e tonto. Quero levantar-me e correr. Mas a luz que invade os meus olhos é tão intensa que não me deixa avançar. Sinto que me agarram. Pronunciam palavras que não entendo. Pouco a pouco a visão vai melhorando. Uma multidão rodeia-me. Não entendo as expressões nos seus rostos. Mas entendo essas mãos que não me largam.
Fracassei.