Peças às cores, de variados tamanhos e feitios. Peças de cheiros, de sons e de sabores. Memórias em peças e histórias aos pedaços. É assim, o puzzle da vida.

Monday, November 14, 2005

Poesia solta e ao acaso

Tenho o velho hábito de entrar numa livraria, pegar num livro qualquer e abri-lo numa página ao acaso. Leio essa página ou um parágrafo só. Se me parecer interessante, faço-o mais duas ou três vezes. E se gostar compro o livro.
Foi isso que não se passou com o livro do post anterior. Abri-o, li o poema referido e voltei a abri-lo e a lê-lo. Mas não gostei. Confesso que o abri ainda mais algumas vezes, para além das duas ou três do costume, na esperança de encontrar algo mais que me entusiasmasse e me levasse a adquirir aquela colectânea de poemas de autores diversos. Mas foi em vão...
Por outro lado, um certo dia entrei na pequenina livraria do velhinho "Gira", dirigi-me à estante onde está colado o autocolante que diz "Poesia" e retirei um livro de lombada branca e fina da prateleira. Foi na Cantilena que o abri:
"
Ouve-se o mar. Ilusão?
Ouve-se mesmo, ora escuta,
faz um búzio com a mão,
ora escuta. Acaso viste o
amor e do amor o clarão?
Porque acreditas se a luz
é gémea de algum trovão?
Ora escuta: ouve-se mar.
As ondas a vir, a ir, são do
teu pulso o pulsar, batem
no teu coração. Quando
o sangue transbordar na
praia/orla do corpo, hás-de
ouvi-lo marulhar. E uma
gaivota rasgar o espaço
aberto do ventre. Ora escuta,
ouve-se o mar. Ouve-se
o mar: ora sente.
"
In Ar, Mar, Amar de Alberto Marques, Minerva 1997
´
´
Não precisei de ver mais nenhuma página...

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