Peças às cores, de variados tamanhos e feitios. Peças de cheiros, de sons e de sabores. Memórias em peças e histórias aos pedaços. É assim, o puzzle da vida.

Saturday, September 03, 2005

Ainda sobre essas coisas que tal

Custa-me tanto ver as pessoas de que gosto fazer asneiras. Custa-me ainda mais do que as minhas próprias asneiras. Porque estas, como o único responsável sou eu, tenho obrigatoriamente de as engolir e aceitar. Agoras as outras... o que me dói mais é não poder fazer nada para o evitar, é aquele sentimento de inutilidade. Como não me considero dono da razão e sei que posso estar errado, nunca digo "Não faças isso, faz aquilo...". Até porque as asneiras são um processo natural de aprendizagem. É preciso é realmente aprender com elas. Mas custa tanto...
É um pouco como a relação pais-filhos. Penso que os pais não devem estar sempre a pôr a mão debaixo dos filhos a amparar-lhes a queda. Pois, se eles nunca baterem com a cabeça, nunca irão aprender. Mas esta relação tem algo de especial, pois, aconteça o que acontecer, uns nunca deixarão de ser pais e outros nunca deixarão de ser filhos. Mas, e nas outras relações interpessoais - de amor e amizade? Não há, à partida, nenhuma ligação eterna. As relações só existem quando todos estão de acordo. Há liberdade de escolha. Sendo assim, que força misteriosa obriga a assistir a este penoso processo? E se essas pessoas precisarem de bater com a cabeça sete, oito, nove ou dez vezes? E se nunca chegarem a aprender?

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

"Ceifo a larga seara dos meus anos:
Encho a tulha de mágoas.
Mas este joio, em mim, é natural
Como o trigo aos montões
noutras herdades.
O mal nasce do mal.
Semeei ventos, colho tempestades.

Só reparei no erro da lavoura
Quando o sol aloirava o desengano.
Mas nem então, humano,
Me arrependi.
Olhei com pena o sáfaro oceano,
Sem pena da abundância que perdi.

Cantei a fome sem nenhuma esperança
A negra fome da inquitação
Que não quer a fartura granjeada
Com lisonjas a Ceres e ao arado.
A fome alimentada
Pelo gosto do pão imaginado.

9:44 AM

 

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