O Inferno em Coimbra


Desta vez tocou-nos a nós. Pois é, pensamos sempre que isto só acontece aos outros e lá mais para o interior do país. Mas a verdade é que este fogo andou a "passear-se" pelo distrito de Coimbra durante quatro dias, desvastando uma enorme área florestal (e não só!) nos municípios de Poiares, Coimbra, Miranda do Corvo e Penela.
As imagens são da terrível noite de Domingo (21/08/05) e madrugada de segunda-feira (22/08/05). A frente principal do fogo esteve às portas de Coimbra e os seus tentáculos atingiram zonas na Av. Elísio de Moura, Encosta do Chão do Bispo, Urbanização Tamonte, Urbanização da Quinta da Romeira, Pinhal de Marrocos (Pólo II da Universidade de Coimbra) e Lajes. Não fosse a ajuda preciosa dos aviões Canadair durante a "longa" manhã de segunda-feira e estou convencido que o fogo tinha mesmo destruído habitações nessas zonas da cidade.
O que me parece absurdo é que um país que todos os anos sofre com o terror dos incêndios não possua meios aéreos de combate próprios. E nem sequer existe um batalhão de bombeiros nacionais especializado neste tipo de fogos. Os bombeiros sapadores (profissionais) estão sob a alçada dos municípios e os bombeiros voluntários sob a alçada do Estado (Ministério da Administração Interna). Os primeiros queixam-se que não foram chamados, o Estado diz que não os pode chamar. Enfim... desavenças à parte, lá vão os valentes bombeiros voluntários combater as chamas com dezenas de metros de altura numa extensão de vários quilómetros, com a sua fardazita azul (dá-me ideia que igual a qualquer peça de roupa, sem nenhum tipo de protecção ao fogo) e o seu boné na cabeça (acreditam nisto? nem uma máscara para não inalarem o fumo?!!). Uns verdadeiros heróis.
Ouvi nas notícias que já há uma comissão a estudar a forma de combate aos fogos e que o nosso ministro da Administração Interna, António Costa, propôs a construção de um avião europeu de combate a incêndios florestais. Ainda bem, assim já fico descansado...

1 Comments:
Esta é a Cidade
Esta é a Cidade, e é bela.
Pela ocular da janela
foco o sémen da rua.
Um formigueiro se agita,
se esgueira, freme, crepita,
ziguezagueia e flutua.
Freme como a sede bebe
numa avidez de garganta,
como um cavalo se espanta
ou como um ventre concebe.
Treme e freme, freme e treme,
friorento voo de libélula
sobre o charco imundo e estreme.
Barco de incógnito leme
cada homem, cada célula.
É como um tecido orgânico
que não seca nem coagula,
que a si mesmo se estimula
e vai, num medido pânico.
Aperfeiçoo a focagem.
Olho imagem por imagem
numa comoção crescente.
Enchem-se-me os olhos de água.
Tanto sonho! Tanta mágoa!
Tanta coisa! Tanta gente!
São automóveis, lambretas,
motos, vespas, bicicletas,
carros, carrinhos, carretas,
e gente, sempre mais gente,
gente, gente, gente, gente,
num tumulto permanente
que não cansa nem descança,
um rio que no mar se lança
em caudalosa corrente.
Tanto sonho! Tanta esperança!
Tanta mágoa! Tanta gente!
António Gedeão
5:18 AM
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