Peças às cores, de variados tamanhos e feitios. Peças de cheiros, de sons e de sabores. Memórias em peças e histórias aos pedaços. É assim, o puzzle da vida.

Friday, August 26, 2005

Sobre a vida, o amor e outras coisas que tal

O que é um ser vivo? Aprendemos na escola primária que o que distingue um ser vivo das coisas inanimadas é que um ser vivo nasce, cresce, reproduz-se e morre. Nada mais fácil; não há outra definição tão simples e tão certa como esta. Depois, aprendemos que os seres vivos se subdividem em reino animal e reino vegetal. Cada um deles tão variado e tão fantástico - há animais e plantas com características tão estranhas quanto maravilhosamente belas. E ainda podemos separar os animais em racionais e irracionais. O que nos distingue a nós, seres humanos, dos outros animais? O facto de pensarmos e os outros agirem por instinto... Mas quem é que não age por instinto, quem é que nunca realizou actos arrebatadores e provou a felicidade ou a tristeza num simples impulso? A diferença é que o ser humano consegue criar associações, ligar causa e efeito e consegue representar a realidade por símbolos. Mas lá por termos consciência que os nossos actos têm consequências e por entendermos os mesmos símbolos, isso não quer dizer que nos percebemos uns aos outros e que nos damos todos bem. Cultura e religião à parte, haverá algo tão diferente como um homem de uma mulher? Tão diferentes, tão especiais. Quando somos pequenos detestamo-nos, puxamos cabelos e gozamos uns com os outros. Mais tarde, atraímo-nos, brincamos timidamente e amamo-nos. Amamo-nos (para sempre! dizemos) até nos magoarmos, e então odiamo-nos. Mas voltamos a amar, a magoar, a amar e a magoar, até percebermos que não conseguimos viver uns sem os outros. Mas aí é tarde de mais. Já perdemos a ingenuidade e a inocência que dão aquele brilho especial a tudo. E lamentamo-nos - "Só quero alguém que me entenda, que me apoie e me dê carinho, será assim tão difícil de encontrar?". E procuramos, procuramos incessantemente. Mas, por norma, fazêmo-lo de uma forma egoísta - "Só quero uma pessoa assim e assado, que goste disto e daquilo, etc, etc.". E que tal libertarmo-nos disto? Que tal deixarmos de pronunciar a palavra "quero"? Que tal deixarmos de procurar uma pessoa para encaixar nos nossos planos e sonhos secretos e, em vez disso, entendermos que a "tal" pessoa poderá ser muito diferente do que sempre idealizámos, mas que os planos e sonhos se constróiem a dois?

O Inferno em Coimbra



Desta vez tocou-nos a nós. Pois é, pensamos sempre que isto só acontece aos outros e lá mais para o interior do país. Mas a verdade é que este fogo andou a "passear-se" pelo distrito de Coimbra durante quatro dias, desvastando uma enorme área florestal (e não só!) nos municípios de Poiares, Coimbra, Miranda do Corvo e Penela.
As imagens são da terrível noite de Domingo (21/08/05) e madrugada de segunda-feira (22/08/05). A frente principal do fogo esteve às portas de Coimbra e os seus tentáculos atingiram zonas na Av. Elísio de Moura, Encosta do Chão do Bispo, Urbanização Tamonte, Urbanização da Quinta da Romeira, Pinhal de Marrocos (Pólo II da Universidade de Coimbra) e Lajes. Não fosse a ajuda preciosa dos aviões Canadair durante a "longa" manhã de segunda-feira e estou convencido que o fogo tinha mesmo destruído habitações nessas zonas da cidade.
O que me parece absurdo é que um país que todos os anos sofre com o terror dos incêndios não possua meios aéreos de combate próprios. E nem sequer existe um batalhão de bombeiros nacionais especializado neste tipo de fogos. Os bombeiros sapadores (profissionais) estão sob a alçada dos municípios e os bombeiros voluntários sob a alçada do Estado (Ministério da Administração Interna). Os primeiros queixam-se que não foram chamados, o Estado diz que não os pode chamar. Enfim... desavenças à parte, lá vão os valentes bombeiros voluntários combater as chamas com dezenas de metros de altura numa extensão de vários quilómetros, com a sua fardazita azul (dá-me ideia que igual a qualquer peça de roupa, sem nenhum tipo de protecção ao fogo) e o seu boné na cabeça (acreditam nisto? nem uma máscara para não inalarem o fumo?!!). Uns verdadeiros heróis.
Ouvi nas notícias que já há uma comissão a estudar a forma de combate aos fogos e que o nosso ministro da Administração Interna, António Costa, propôs a construção de um avião europeu de combate a incêndios florestais. Ainda bem, assim já fico descansado...

Monday, August 01, 2005

Zambujeira do Mar

Hoje dirigi-me ao posto de correios de São Pedro do Estoril para comprar o meu bilhete para o festival do sudoeste.
-Quer o passe de quatro dias para o festival sudoeste tmn?
-Sim. Respondi, amigavelmente.
-Ora veja lá se está bem...Herdade da Casa Branca, Zambujeira do Mar?
-É isso mesmo!
Com um sorriso nos lábios entrego os 65,50 e digo "Muito obrigado!".
-Bom barulho. Divirta-se. Ah... e juizinho!
Enquanto vou ladeira acima penso na última frase da gentil senhora que me atendeu e interrogo-me sobre alguns propósitos da vida. Da minha, principalmente.
Em São Pedro tenho casa, cama, comida e roupa lavada. Tenho pessoas que gostam de mim e uma praia bonita. O que levará este rapaz, aparentemente tótó (como já me apelidaram diversas vezes, pessoas até que me deveriam conhecer bem), a abandonar o conforto e a embarcar, sozinho, numa jornada que só o leva ao barulho, à confusão? E onde é preciso ter juizinho! :-)
Se é verdade que São Pedro é dos sítios onde sempre pensei viver, a Costa Vicentina é dos lugares mais lindos de Portugal e onde me sinto melhor. E o barulho, onde entra? A dificuldade de interpretação provém da errada definição "Zambujeira = barulho". Eu amo a praia. Amo o ar livre. Amo a música. E as noites quentes de Verão. E é tudo isto que a Zambujeira do Mar representa para mim. É esta a razão que ano após ano me faz regressar.