Sobre a vida, o amor e outras coisas que tal
O que é um ser vivo? Aprendemos na escola primária que o que distingue um ser vivo das coisas inanimadas é que um ser vivo nasce, cresce, reproduz-se e morre. Nada mais fácil; não há outra definição tão simples e tão certa como esta. Depois, aprendemos que os seres vivos se subdividem em reino animal e reino vegetal. Cada um deles tão variado e tão fantástico - há animais e plantas com características tão estranhas quanto maravilhosamente belas. E ainda podemos separar os animais em racionais e irracionais. O que nos distingue a nós, seres humanos, dos outros animais? O facto de pensarmos e os outros agirem por instinto... Mas quem é que não age por instinto, quem é que nunca realizou actos arrebatadores e provou a felicidade ou a tristeza num simples impulso? A diferença é que o ser humano consegue criar associações, ligar causa e efeito e consegue representar a realidade por símbolos. Mas lá por termos consciência que os nossos actos têm consequências e por entendermos os mesmos símbolos, isso não quer dizer que nos percebemos uns aos outros e que nos damos todos bem. Cultura e religião à parte, haverá algo tão diferente como um homem de uma mulher? Tão diferentes, tão especiais. Quando somos pequenos detestamo-nos, puxamos cabelos e gozamos uns com os outros. Mais tarde, atraímo-nos, brincamos timidamente e amamo-nos. Amamo-nos (para sempre! dizemos) até nos magoarmos, e então odiamo-nos. Mas voltamos a amar, a magoar, a amar e a magoar, até percebermos que não conseguimos viver uns sem os outros. Mas aí é tarde de mais. Já perdemos a ingenuidade e a inocência que dão aquele brilho especial a tudo. E lamentamo-nos - "Só quero alguém que me entenda, que me apoie e me dê carinho, será assim tão difícil de encontrar?". E procuramos, procuramos incessantemente. Mas, por norma, fazêmo-lo de uma forma egoísta - "Só quero uma pessoa assim e assado, que goste disto e daquilo, etc, etc.". E que tal libertarmo-nos disto? Que tal deixarmos de pronunciar a palavra "quero"? Que tal deixarmos de procurar uma pessoa para encaixar nos nossos planos e sonhos secretos e, em vez disso, entendermos que a "tal" pessoa poderá ser muito diferente do que sempre idealizámos, mas que os planos e sonhos se constróiem a dois?


